"O paraíso pode esperar": a geração sem memória em Olga Gonçalves
Resumen
RESUMO: Confrontada com mudanças sociais profundas no pós-Abril, especificamente de 1980 emdiante, a juventude portuguesa inaugura novos modos particulares, mesmo de vanguarda, de sentir e agir
em sociedade. Enquanto comunidade, e portadores de uma memória não-oficial, estes jovens são os
protagonistas involuntários de uma ruptura geracional de grande impacto em toda a sociedade. O
presente estudo parte do trabalho da escritora portuguesa Olga Gonçalves. Nos seus diários ficcionais,
analisa-se o processo de auto-biografização e a forma como este discurso se cruza ora com a reconstrução
das memórias históricas da juventude portuguesa, ora com a desconstrução de algumas leituras
hegemónicas sobre o período pós-revolucionário largamente reproduzidas.
PALAVRAS-CHAVE: juventude portuguesa, mudança social, pós-Abril, memoria.
ABSTRACT: Confronted with deep social changes in the post April period, from 1980 onwards,
Portuguese youth initiate a particular, perhaps avant-garde, way of experiencing and acting in society. As
a community and carriers of a non-official memory, they are the involuntary protagonists of a massive
generation rupture, impacting considerably on the entire society. This research looks at the work of the
Portuguese writer Olga Gonçalves. In her fictional diaries, I analyze the process of self-biographization
and the way it intertwines with a reconstruction of the Portuguese youth historical memories and the
decomposition of some hegemonic readings widely reproduced about this post-revolutionary period.
KEYWORDS: Portuguese youth, social change, post-April, memory.
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