"O paraíso pode esperar": a geração sem memória em Olga Gonçalves

  • Sandra Guerreiro Dias Universidade de Coimbra

Resumen

RESUMO: Confrontada com mudanças sociais profundas no pós-Abril, especificamente de 1980 em
diante, a juventude portuguesa inaugura novos modos particulares, mesmo de vanguarda, de sentir e agir
em sociedade. Enquanto comunidade, e portadores de uma memória não-oficial, estes jovens são os
protagonistas involuntários de uma ruptura geracional de grande impacto em toda a sociedade. O
presente estudo parte do trabalho da escritora portuguesa Olga Gonçalves. Nos seus diários ficcionais,
analisa-se o processo de auto-biografização e a forma como este discurso se cruza ora com a reconstrução
das memórias históricas da juventude portuguesa, ora com a desconstrução de algumas leituras
hegemónicas sobre o período pós-revolucionário largamente reproduzidas.
PALAVRAS-CHAVE: juventude portuguesa, mudança social, pós-Abril, memoria.
ABSTRACT: Confronted with deep social changes in the post April period, from 1980 onwards,
Portuguese youth initiate a particular, perhaps avant-garde, way of experiencing and acting in society. As
a community and carriers of a non-official memory, they are the involuntary protagonists of a massive
generation rupture, impacting considerably on the entire society. This research looks at the work of the
Portuguese writer Olga Gonçalves. In her fictional diaries, I analyze the process of self-biographization
and the way it intertwines with a reconstruction of the Portuguese youth historical memories and the
decomposition of some hegemonic readings widely reproduced about this post-revolutionary period.
KEYWORDS: Portuguese youth, social change, post-April, memory.

Descargas

La descarga de datos todavía no está disponible.

Citas

A juventude e o 25 de Abril (Mesa Redonda com Ana Vicente, João Afonso, Filipe Rosas, Nuno Ramos de

Almeida, Sara Trindade, Pedro Maia e Sandra Monteiro (1994), Vértice, 59, 22-9.

Assman, A. (2006). History, memory, and the Genre of Testimony. Poetics Today, 27, 2, 261-273.

Augé, M. (2005). Não-Lugares (Trad. M. Serras Pereira). Lisboa: 90 Graus Editora [1992].

— (2001). As Formas do Esquecimento (Trad. E. Sampaio). Almada: Íman Edições. [1998].

Baudrillard, J. (1991). Simulacros e Simulações. (Trad. M. J. da Costa Pereira). Lisboa: Relógio d’Água.

.

Bauman, Z. (2001). Modernidade Líquida (Trad. P. Dentzien). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.

.

— (1994). Desert spectacular. In K. Tester (Ed.). The Flâneur (pp. 138-157). London and New York:

Routledge.

Bebiano, R. (2006). Da desmemória e do seu antídoto. In M. M. Cruzeiro e R. Bebiano (Coord.). Anos

Inquietos. Vozes do Movimento Estudantil em Coimbra [1961-1974] (pp. 9-13). Porto: Afrontamento.

Bell, D. (1997). La fin de l’idéologie (Trad. F. Malrey). Paris: Presses Universitaires de France. [1988].

Besse, M. G. (1991). Os mundos possíveis de Olga Gonçalves – a tensão referencial em Mandei-lhe uma

Boca. Intercâmbio, 5, 91-101.

Brito, C. de. (1978). “[Recensão crítica de] Mandei-lhe uma boca, de Olga Gonçalves”, Colóquio/Letras, 44,

-86.

Certeau, M. de. (1993). L’imaginaire de la ville. In La Culture au pluriel (pp. 33-44). Paris: Christian

Bourgeois Éditeur.

Guerreiro Dias, Sandra. “O paraíso pode esperar: a geração sem memória em Olga Gonçalves”

Impossibilia Nº3, Págs. 164-182 (Abril 2012) Artículo: Recibido 29/02/2012 - Aceptado 20/03/2012 - Publicado 30/04/2012

Coelho, E. P. (1988). O grau menos zero que zero da escrita. In A Noite do Mundo (pp. 251-254). Lisboa:

Imprensa Nacional - Casa da Moeda.

Collin, D. Histoire ou mémoire. Philosophie et politique (pages personnelles de Denis Collin,

denis.collin.pagesperso-orange.fr/histoire.htm, acedido em 29/03/2011.

Cruz, M. B. da. (1995). Instituições Políticas e Processos Sociais. Venda Nova: Bertrand Editora.

Durand, G. (1979). A Imaginação Simbólica (Trad. M. de F. Morna). Lisboa: Arcádia. [1964].

Figueiredo, E. (2001). Valores e Gerações: Anos 80 Anos 90. Lisboa: ISPA.

Gonçalves, O. (1978). Este Verão o Emigrante là-bas. Lisboa: Moraes.

— (1982). Ora Esguardae. Lisboa: Caminho.

— (1983). Mandei-lhe uma boca. (2ª Ed.) Lisboa: Livraria Bertrand. [1977].

— (1992). Sara. (3ª Ed.) Lisboa: Editorial Caminho. [1986].

Gumbrecht, H. U. (2010). Lento Presente. Sintomatología del nuevo tiempo histórico (Trad. L. Relanzón

Briones). Madrid: Escolar y Mayo Editores.

Halbwachs, M. (1997). La mémoire collective. Paris: Albin Michel. [1950].

Judt, T. (2007). Pós-Guerra. História da Europa desde 1945 (Trad. V. Silva, M. Manuel Cardoso da Silva e

P. Xavier). Lisboa: Edições 70. [2005].

Lipovetsky, G. (1989). A Era do Vazio. Ensaio sobre o individualismo contemporâneo (Trad. M. Serras

Pereira e A. L. Faria). Lisboa: Relógio d’Água. [1983].

Loff, M. (2006). Fim do colonialismo, ruptura política e transformação social em Portugal nos anos

setenta. In M. Loff e M. da C. Mereiles Pereira (Coord.). Portugal: 30 anos de Democracia (1974-2004) -

Actas do Colóquio (pp. 153-193). Porto: up Editora/Universidade do Porto.

King, N. (2000). Memory, Narrative, Identity: Remembering the Self. Edinburgh: Edinburgh UP.

Guerreiro Dias, Sandra. “O paraíso pode esperar: a geração sem memória em Olga Gonçalves”

Impossibilia Nº3, Págs. 164-182 (Abril 2012) Artículo: Recibido 29/02/2012 - Aceptado 20/03/2012 - Publicado 30/04/2012

Mourão, L. (1996). Um Romance de Impoder: A Paragem da História na Ficção Portuguesa Contemporânea.

Coimbra: Angelus Novus.

Nuemann, B. (2008). The Literary Representation of Memory. In A. Erll & A. Nünning (Eds.). Cultural

Memory Studies. An International and Interdisciplinary Handbook (pp. 333-343). Berlin/New York: Walter

de Gruyter.

Pais, J. M. (1994a). Apresentação. In L. Chisholm e E. Liebau (Eds.). Jovens Europeus: Mudança Social,

Educação e Modos de Vida (Trad. Inês Vaz Pinto) (pp. 5-13). Lisboa: Instituto Português da Juventude e

Instituto de Ciências Sociais.

— (1994b). Percursos para a vida adulta num contexto de mudança social: o caso ilustrativo de Portugal.

In L. Chisholm e E. Liebau (Eds.). Jovens Europeus: Mudança Social, Educação e Modos de Vida, (Trad.

Inês Vaz Pinto) (pp. 15-26). Lisboa: Instituto Português da Juventude e Instituto de Ciências Sociais.

— (1998). Gerações e Valores na Sociedade Portuguesa Contemporânea. Lisboa: Instituto de Ciências Sociais

da Universidade de Lisboa.

Pinto, J. M. (2006). Trinta anos de democracia: mudanças sociais e inconsistência institucional. In M.

Loff e M. da C. Mereiles Pereira (Coord). Portugal: 30 anos de Democracia (1974-2004) - Actas do

Colóquio (pp. 133-151). Porto: up Editora/Universidade do Porto.

Pollack, M. (1989). Memória, esquecimento, silêncio. Estudos Históricos, 2-3, 3-15.

— (1992). Memória e Identidade Social. Estudos Históricos, 5-10, 200-212.

Rosas, F. (2005). A Revolução Portuguesa de 1974/75. In F. Martins e P. Aires de Oliveira (Coord.) As

Revoluções Contemporâneas (pp. 213-232). Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de

Lisboa: Edições Colibri.

Saunders, M. (2008). Life-Writing, Cultural Memory, and Literary Studies. In A. Erll & A. Nünning

(Eds.). Cultural Memory Studies. An International and Interdisciplinary Handbook (pp. 321-331).

Berlin/New York: Walter de Gruyter.

Guerreiro Dias, Sandra. “O paraíso pode esperar: a geração sem memória em Olga Gonçalves”

Impossibilia Nº3, Págs. 164-182 (Abril 2012) Artículo: Recibido 29/02/2012 - Aceptado 20/03/2012 - Publicado 30/04/2012

Tavares, T. (2002). “Um mundo que se quebra enquanto falo”: Representações do espaço social e sexual

na ficção narrativa de escritoras contemporâneas. In M. I. Ramalho e A. Sousa Ribeiro (Coord.). Entre Ser

e Estar - Raízes, Percursos e Discursos de Identidade (pp. 349-81). Porto: Edições Afrontamento.

Vieira, J. (2000). Século XX - Crónica em Imagens. Vol. IX (1980-1990). Lisboa: Círculo de Leitores.

Publicado
2012-04-30
Sección
Monográfico